terça-feira, 2 de julho de 2013

Heraclides Vieira Borges


Heraclides nasceu na divisa de Lages e São Joaquim (SC) em 24 de fevereiro de 1903, era filho de Manuel Vieira da Silveira e Maria Emília Borges. Talvez o mais profícuo e fecundo Editor e Jornalista de Curitibanos.
Alfabetizou-se com aulas particulares, em curto período, eram escassos os professores na época. Ampliaram seus conhecimentos através da leitura de pequenos folhetos, pedaços de jornais ou livros que dificilmente encontrava.
Com o passar dos tempos, diante de maior fonte de pesquisa, evoluía-se pela sua força de vontade e grande interesse pelo progresso cultural próprio.
Até os 19 anos de idade permaneceu na casa dos pais, na Fazenda Tamanduá, onde fazia taipas (cerca de pedras), domava animais, caçava e mantinha contato com a natureza.
Grande adepto das forças armadas, quando da época do seu alistamento militar, decidiu “servir o governo”, prazerosamente, rumou a Florianópolis, a fim de cumprir seu dever de cidadão brasileiro. No 14º Batalhão de Caçadores prestou o serviço militar, por um ano, com muito proveito a sua vida.
De volta a sua terra empregou-se como tarefeiro de taipas no perímetro das invernadas e terras de plantas do Sr. Faustino Costa. Para os fazendeiros Faustino e Theodoro Pereira Camargo empreitou, ainda, tarefas para arrancar Caraguatá brabo, limpando as pastagens.
Em 09 de março de 1929, casou-se com Olga Iria Borges, cujo matrimônio teve seis filhos: Érico, Érito, Érita, Érica, Heraclides Borges Filho e Élita Borges.
No mesmo ano exerceu o cargo de escrivão da Coletoria Estadual, permanecendo nesta função até outubro de 1930, com a revolução.
Espírito versátil e polivalente, muitos foram os misteres e atividades que o atraíram. Os labores da vida rural não lhe tinham segredos. Fixando-se no meio urbano, na então Vila de Curitibanos, exercitou um cem números de atividades, no comércio, na indústria e na prestação de serviços. Foi cobrador. Fundou a primeira olaria de Curitibanos. Exerceu atividades como a marcenaria, carpintaria, além ter sido pedreiro, padeiro e taipeiro.
Além da padaria e confeitaria, com parceria com sua esposa e seus sogros João Henrique e Celestina (Celeste) e Jorge do Nascimento, foi responsável pela construção do 1º hotel de Curitibanos, em 1931, retirando as madeiras necessárias do mato (localidade de Lagoinha), no braço, denominando-o Palace Hotel, o qual fora vendido, anos depois, para Hugo Bernardoni. Montando, juntamente com seu sogro, a primeira olaria de tijolos e telhas, na época, tinha seus 18 funcionários hospedados em sua residência, pois o salário que lhes pagava era livre, sem condições comerciais que possibilitassem aos mesmos em pensão ou hotel. A técnica para a queima das telhas e tijolos, de acordo com o barro e o tempo era por eles desconhecidas e até acertarem grandes fornadas foram perdidas, provocando grandes prejuízos. Heraclides encontrou a solução a este problema racionalizando o trabalho com a nova técnica. Com tijolos e telhas a sua disposição, decidiu que construiria algumas casas, incluindo a sua, de alvenaria.
De 1º de abril de 1936 a 23 de outubro de 1937 exerceu o cargo de Vereador.
Incentivados por amigos, aceitou ser Prefeito do Município (19/11/1945 a 19/02/1946), mas para isso deveria trocas suas botinas surradas por sapatos e Heraclides o fez. O exercício da função pública, as estreitas relações com o Magistrado Dr. Pedro David Fernandes de Souza, impulsionaram a retomar os estudos, tomando lições com o Juiz de Direito que lhe consagrava amizade e prestava-lhe aula diária e gratuita, diante do grande interesse do ilustre aluno, bem como por correspondência.
Fez-se Advogado, incentivado pelo Juiz de Direito David, atingindo brilhante carreira, deixando memória no meio forense, especialmente na Vara Criminal e no Tribunal do Júri onde se houve com brilhantismo singular.
Sua amizade com o Dr. David foi muito forte e quando este veio a falecer continuou a prestar suas homenagens em seu túmulo, solicitando aos seus familiares que olhassem sempre, mesmo em sua ausência pelo túmulo e restos mortais de Pedro David Fernandes de Souza, em sinal de sua eterna gratidão.
Heraclides participou ativamente na comunidade, sendo Presidente do Clube 7 de Setembro, que ganhou sua segunda (e atual) sede social em sua gestão.
Foi presidente da Cia Força e Luz curitibanense. Exerceu o cargo de Promotor Público e Juiz de Paz por curto período. Foi rotariano e grande colaborador nas festas religiosas.
Desempenhou o cargo de solicitador inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil após submeter-se a apurado concurso. Defendeu muitas causas, atendendo também aos pobres gratuitamente, recebendo o título de “Pai dos Pobres”. Fazia muita caridade e era grande incentivador dos estudantes.
O maior entusiasmo na sua carreira advocatícia era apresentado nas causas criminais e principalmente no Júri.
Era muito patriota, solenizava as datas cívicas deixando seu marco principal em defesa ao reflorestamento - homenagem prestada pelo Rotary Clube de Curitibanos, no dia da árvore – plantado na Praça da República: um pé de Ipê Amarelo, que conseguiu nos matos do Rio Marombas quando saiu à procura para fazer a referida muda mostrando um grau positivo tão grande, força tamanha do pensamento que o encontrou, trazendo-o com o seu amigo Djalma Ferreira (Dejaime).
O Jornalismo foi uma de suas mais acentuadas paixões e desde o Natal de 1955 trouxe o lume o “JORNAL DE CURITIBANOS”, folha importante e influente traduzindo as manifestações da opinião pública local. Vale destacar, à vista de exemplares cuidadosamente encadernados no Museu Histórico que o “JORNAL DE CURITIBANOS” primava na época, por excelente qualidade gráfica, atraia o leitor exatamente ao editorial, sempre escrito por Heraclides, em linguagem escorreita, estilo fluente e primoroso. Em que pese vislumbrarem-se tendências e fascínio no tratamento político de opinião.
Faleceu em 27 de agosto de 1958, sendo seu corpo velado no Fórum de Curitibanos e o Município decretou luto oficial.

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