terça-feira, 21 de maio de 2013

Pedro Popinhaki


Aqui está o Sr. Pedro Popinhaki e seus filhos, da esquerda para a direita: Pedro Popinhaki Filho, João Reinaldo Popinhaki, Lígia Teresinha Popinhaki e Antonio Carlos Popinhaki, em 1968.
Pedro Popinhaki em 08 de Fevereiro de 1955
















































Tem tantas coisas para escrever sobre meu pai que nem sei por onde começar. Tempos atrás, escrevi umas trinta páginas com algumas das minhas recordações. Essas foram sobre a época quando eu ainda era uma criança. Nos idos anos 1960 e 1970. Quero colocar algumas postagens lembrando alguns eventos vividos com meu pai, mesmo que avulsos. Sem uma cronologia apurada. Diversas pessoas que conviveram com ele me disseram algumas coisas. Muitas dessas, eu nem imaginava, ou não tinha conhecimento. Acredito que tudo seja verdade, pois não vejo o porquê de alguém contar uma mentira sobre uma pessoa tão simples e humilde, como fora meu pai.
Recentemente, fizemos algumas pequenas reformas lá em casa. Precisamos substituir alguns metros quadrados de forro de dois quartos. Como conseqüência dessa obra, sobrou pedaços de forro velho de madeira. Eu e minha esposa guardamos estas sobras num local para doarmos a alguma pessoa ou família. Para ser usada como lenha. Procuramos pela vizinhança, alguém que tenha um fogão a lenha. Constatamos que a maioria dos nossos vizinhos está se desfazendo do velho fogão a lenha. É como se uma antiga tradição fosse morrendo bem aos nossos olhos. Talvez esteja mesmo, só que não percebemos. Curitibanos está perdendo suas características de cidade fria, de inverno rigoroso. Numa recente manhã, por volta das sete horas e trinta minutos da manhã, fui verificar porque a minha cadela estava tão alvoroçada. Ela estava latindo muito e atrapalhava o sono de alguns que insistiam em dormir, postergando o levantar das suas camas. Eu já tinha levantado. Tomado banho e também o meu café matinal. Percebi que tinha alguém mexendo nos entulhos ou sobras de forro de madeira que tínhamos arrumado para doação. Fui verificar e constatei que minha esposa tinha doado o forro para um vizinho que mora não muito próximo, se bem que nós podemos avistar sua casa da janela de um dos nossos quartos.
O seu nome é Osni e ele tem já certa idade. Creio, pela sua aparência, se não tem oitenta anos está perto. Conversando com ele, me contou algumas coisas sobre meu pai. Eles trabalharam juntos na Prefeitura Municipal de Curitibanos, no inicio da década de 1970. Meu pai trabalhava como motorista de uma caçamba da Prefeitura Municipal. Ele transportava de tudo, pedras, terra, areia, mercadorias e costumeiramente, fazia mudanças. Naquela época bastava alguém ir pedir para o prefeito, o senhor Wilmar Ortigari, que ele designava algum motorista para transportar a mudança, inclusive para levar ou trazer de outra cidade. O senhor Osni era o vigia noturno da garagem da Prefeitura Municipal. Naquele local onde também funcionava a oficina mecânica e um escritório.
O senhor Osni me contou sua versão sobre a ocasião em que meu pai acertou no primeiro premio da loteria federal. Foi precisamente no dia 17 de março de 1971. Meu pai morava perto da garagem da prefeitura, na Rua Benjamin Constant. Ele tinha o costume de ir à noite, conversar com o vigia e se aquecer no fogo que era feito num dos barracões da oficina. Naquele tempo, o frio era mais intenso. Em março já se sentia as baixas temperaturas. Era um prognóstico que antecederia o inverno, quase sempre bem rigoroso. Segundo fui informado, numa noite fria, antes do dia 17 de março, em volta do fogo, aconteceu algo digno de registro. Pode ser até besteira, mas foi justamente por acreditar, que houve a contemplação do premio. Nessa noite, meu pai estava conversando com o senhor Osni. Enquanto conversavam, obstinadamente, tinha uma mariposa que insistia em pousar sobre seu braço. Várias vezes, segundo o senhor Osni, meu pai tentou afastar a mariposa, com cuidado para não machucá-la ou matá-la. De tanto essa mariposa pousar no braço de meu pai, ele finalmente falou que no dia seguinte, compraria um bilhete de loteria com o final que correspondesse ao bicho borboleta. Pois achava que era um sinal para jogar na borboleta. Mariposa e borboleta era quase a mesma coisa segundo seu entendimento.
No outro dia, ele e outros funcionários da Prefeitura estavam num antigo posto de gasolina. Este posto era da bandeira Atlantic. Disso eu lembro até hoje. Ficava na saída para São Cristovão do Sul, na Avenida Jorge Lacerda. Depois dos frentistas abastecerem a caçamba, meu pai viu que tinha para venda, na vitrine do posto, um bilhete de loteria com o final 14. No jogo de bicho, o final 14 é borboleta. Ele não tinha dinheiro naquela hora. Pediu emprestado ao tratorista da Prefeitura, o senhor Luiz Dacol. Ele comprou três bilhetes que correriam na próxima quarta-feira, dia 17 de março de 1971. Era a extração nº 845, que pagaria um prêmio de 400 mil cruzeiros para os 20 bilhetes da série. O bilhete premiado foi o número 36.414. Meu pai comprou três bilhetes e resultaram num premio de 60 mil cruzeiros, equivalente a mais ou menos uns 200 mil reais hoje em dia (2011).
A próxima parte da história me parece estranha. Contou-me o senhor Osni, que no dia seguinte, de manhã cedo, ele já tinha ouvido rumores de que alguém da Prefeitura tinha acertado na Loteria Federal.  Meu pai, que sempre chegava cedo ao trabalho, muitas vezes, antes do horário, estava com pressa para limpar a caçamba. Ele tinha sido designado para fazer uma mudança. Como tinha transportado terra, a caçamba estava toda suja. O vigia emprestou uma enxada com cabo comprido. Essa enxada sempre estava à disposição dos motoristas para limparem suas caçambas. Meu pai basculou ou levantou a caçamba. Com o motor ainda ligado, o senhor Osni perguntou-lhe se não era ele que tinha acertado na loteria. Ele disse que não sabia. Não se passaram alguns minutos e meu pai desapareceu da Prefeitura. Deixou o motor ligado da caçamba, a mesma estava levantada e a enxada estava abandonada dentro da mesma. Alguém depois desligou o motor.
Ele só retornou passados das 10 e meia da manhã, contando a novidade a todos. O que ele fez com o dinheiro é outra história ... (Por Antonio Carlos Popinhaki)




















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