sexta-feira, 24 de maio de 2013

Fioravante Ortigari

Sem dúvida é uma das figuras mais popular e interessante que durante mais de meio século viveu nesta boa terra e que sabe e conheceu os maiores fatos ocorridos, precisando datas e detalhes com abundancia. Podemos afirmar que Curitibanos e Ortigari juntos desenvolveram o seu atual progresso. Ele é o seu enciclopedista. Algum pesquisador desejando inteirar-se de algum fato remoto é só consultá-lo. Mas, quem é este Senhor Fioravante Ortigari? Respondemos com segurança – é filho de emigrantes italianos, originários da famosa cidade Veneza, região dos doges, construída em estacas ao meio em lagunas.
Filho de João e Maria Ortigari, e foram residir nos estados do Rio Grande do Sul, no local então denominado Campo dos Bugres, onde se procedeu ao loteamento pelo governo desse estado, no ano de 1844, e que esta transformada na suntuosa e industrial cidade de Caxias do Sul. Ali estabelecido, iniciou a vida trabalhando na lavoura, e, ao corre dos anos teve os seguintes filhos – Eduardo, Ney, Albino, Silvio, Albano, Pedro, Albina, Izabel, Luisa, José e finalmente Fioravante, nosso biografado.
Durante a travessia dos Paes de Fioravante aconteceu um fato tristonho – adoecera o bordo seu filho Eduardo que veio a falecer e dentro de um caixão foi atirado ao mar, com todas as formalidades legais. Os demais filhos nasceram na referida cidade de Caxias. Assim é que estes homens excelentes cidadãos foram os pioneiros da criação do grande município cidade de Caxias do Sul.
Fioravante nasceu nesta cidade em 29 de junho de 1890, exatamente dia de São Paulo, tendo ante ontem completado a bela idade de 83 anos. Vamos ligar esta data festiva a um grande fato astronômico ocorrido ontem – eclipse total do sol, de duração de sete minutos, e que só se repetirá igual fenômeno daqui a 210 anos, conforme os cálculos do astrônomo alemão, o Cometa Halley, por ele descoberto e que levou o seu nome, teria aparecido na terra por ocasião do nascimento de N. S. Jesus Cristo, e que provavelmente teria sido a estrela assinalada pelos evangelistas.
Assim é que nosso biografado fica ligado a esse fenômeno. Mas, continuemos, Fioravante casou-se na vizinha cidade de Campos Novos com Antoninha, a 19 de abril de 1913, seus filhos: Valdemar (casado com Ilse, filhos Walmir e Ney), Wilmar (casado com Áurea, filhos Ivens e Yone), Waldir (casado com Eve) e Wilson.
Fioravante veio para Curitibanos com 20 anos de idade, ainda solteiro. Como bom operário e na sua profissão de seleiro, trabalhou como empregado do já falecido Sr. Antonio Rossa, que também era um dos pioneiros desta cidade. Posteriormente, auxiliado pelo Prefeito Cel. Francisco Ferreira de Albuquerque, inaugurou sua própria selaria, com o capital de oitocentos mil réis. Como nosso dinheiro tinha valor na época, ele se estabeleceu à rua Dr. Lauro Muller.
Assistiu todos os horrores do levante dos fanáticos e a queima desta cidade, salientando-se a queima dos prédios públicos, a começar pelo prédio da Prefeitura Municipal, e os prédios da Coletoria Federal, Estadual, Telégrafos e quase todas as demais casas, escapando a fúria, algumas residências. Inclusive viu a queima de sua casa pelos fanáticos, localizada no morro do asilo.
Assolado o município por essa revolta e, sem as mínimas condições de segurança, retirou-se com sua família para o Estado do Rio Grande do Sul, na cidade de Nova Trento, hoje Flores da Cunha. Lá permaneceu o tempo necessário até o término daquele movimento ocorrido de 1914. Aqui construiu uma bela casa de madeira de imbuia e abriu uma casa de comércio de tecidos, secos e molhados.
Esta casa conserva-se até hoje e o prédio de Renato Schimidt, sendo propriedade de uma de suas sobrinhas, Ivone Magalhães, sita a Rua Vidal Ramos, esquina com Hercílio Luz.
O filho do Waldemar, Ney é casado com Mirthes e sua filha Valni com Fernando Driessen.
O filho do Wilmar, Ivens é casado com Marlene (seus filhos: Junior e Karen) e Yone com Waldir Leonardo Homem, tem os seguintes filhos Maria Cristina, Antonio Carlos e Paulo Sérgio.
Seu filho WiImar Ortigari é político militante, tendo sido vereador em diversas legislaturas, Prefeito por duas vezes. Suas administrações foram progressistas, mudando o visual da cidade, comprando máquinas, tratores, carregadeiras e outros tantos veículos que contribuíram para o progresso do município. Uma das suas grandes obras foi à construção da nova Prefeitura, prédio que chamou a atenção dos visitantes.
Foi o orgulho da sua administração. Desempenhou ainda, cargo de Deputado Estadual, para o qual foi eleito em rígida disputa. Foi ainda vice-prefeito da eleita prefeita Marilúcia da Silva Costa. Em início de 2006 tomado pelo câncer decidiu não mais esperar e deu fim a sua própria vida.
O outro filho de Fioravante, Waldir formou-se em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo.
Assim é que, finalizando, ficam estes dados da vida de Fioravante que serão incorporados à futura História de Curitibanos e registrados no Museu Municipal.
Texto de Juvenal B. Bacelar
Colaboração de Sebastião Luiz Alves


Waldir Ortigari (menino) e Fioravante Ortigari (de espingarda e cartucheira)

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